segunda-feira, 15 de julho de 2013
Intrínseco VI:
Lavei a alma com poesia
e vim em paz enfrentar o dia:
não quero guerra;
quero apenas o sonho
de amenizar a dor de não saber navegar.
Porque eu quero o mar.
Eu quero repousar a imensidão azul da terra-firme
que nunca encontro; que jamais chega.
Agora que encontrei a luz do meu farol
não me perco mais:
ancoro em qualquer porto
com o peito carregado de amor,
porque posso enxergá-la
mesmo de olhos fechados.
E a saudade tem o cheiro dela.
E a cor do jardim mais bonito que eu já vi,
repousado no silêncio por medo,
sem saber que sua beleza é tanta
que me preenche o sorriso mais sincero.
Não quero guerra;
quero sonho realizado
de navegar mesmo sem saber
no mar de flores em que,
mesmo perdida,
me encontrei.
E realizei.
Naveguei o tal mar de flores sem cessar,
até a Primavera chegar.
E, daí, então, eu sorri,
porque notei que as flores se juntaram a mim
mesmo depois do fim.
Eu quero morrer no jardim
que ela fez florescer em mim:
somente assim morro feliz.
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