sábado, 8 de fevereiro de 2014

de versos pr'a aquecer o coração



II.

Se eu pudesse escolher
um lugar para morar,
eu escolheria tua voz.
Som quase mudo,
preso em mim.
Baixo tom e,
sem tanto dizer,
traz para mim algo
parecido com o mar.
É a cura do lamento,
do desespero.
E se agora não tenho a ti,
sou embarcação triste,
navegando por lugar nenhum.
Grito surdo.

Se eu pudesse escolher
um lugar para me esconder,
escolheria tuas mãos.
Poesia para os dias frios.
Aquece até o que não sou,
o que já fui
e o que virei a ser.
Longe é sonho.
Sonho quase morto.
Desfaleço à procura
de teu cheiro
em qualquer canto por aqui.
Escrevo teu nome.
Segredo que todo mundo viu,
ouviu
e já cansou de decorar.

Se eu pudesse dizer
o que encontro em você,
abraçaria o mundo
e haveria em mim
amor de pureza tão finda
que não haveria distância
que arrancasse teu beijo de mim.
Corre sempre.
Sempre sem parar.
E tentando alcançar
qualquer resquício teu
na cidade que nunca dorme.
Se me vejo assim,
tão sem você,
o peito rasga de saudade
e eu morro na vontade
de te ter em riso.
Abismo ausente
entre nossos corpos
quando o tempo é certo
e temos tempo para ser
muito mais
do que somos agora.

domingo, 17 de novembro de 2013

quando você voltar pra casa, pequena, não há tristeza que valha a pena



Fui vento.
Voei longe
(pra lá, pra cá, pra lá, pra cá)
Soprei varais e vi:
roupa colorida de desgosto,
alma pendurada pra Deus ver
a falta da vontade de crescer.
Tava lá pra tomar sol,
porque ainda antes,
caiu café de solidão
e necessidade das tuas mãos.

Fui chuva.
Caí chão.
É, chão.
Porque chovi de baixo pra cima, sabe,
do chão pralém e até mais.
Molhei foi o céu.
De mim,
porque chorei.
E senti falta de você.
Chorei porque senti falta de você.

Fui inverno.
E eu sei, amor...
é ainda Primavera.
Mas o tempo que não passa
e só nos passa sol,
queima o amor.
E de fim de tarde se veste de fim de mundo.
E eu grito surdo,
também meio mudo.
Falta de clareza de verão não-dito.
Mas eu dito aqui o grito pra você:
te preciso!

Fui retorno.
Depois de vento,
chuva,
inverno,
coloquei o sapato e saí pra ser gente
e, amor, eu vi:
não é barato
sentir saudade
e morrer na vontade
do teu sorriso.

E eu que, aqui,
longe do teu abrigo quase não vivo,
espero que perdoe por ter sido cícero
que me fez te escrever,
descrever aqui,
só pra dizer que quando te vir
vou te abraçar com calor
de quem tem eternidade pra dar.
Vou correr jardim.

sábado, 2 de novembro de 2013

Cafuné



Tenho precisado te ouvir baixinho,
te fazer carinho,
cafuné.
Se você aquietar aqui,
por qualquer canto de mim,
juro que todo dia,
bem cedinho,
tem café.

Tenho pensado em correr mais.
Mais vento,
mas pra isso,
que tormento!,
há pouco tempo.

E mesmo que me haja pouco tempo,
perto ou longe do tormento,
você não sai do pensamento
e eu não me aguento.

Penso em escrever,
te descrever,
pra te ver,
te fazer crer
que é pra ser.

Vai ter domingo pra assistir
filme no sofá sem muito pra falar
e eu vou pensar em te beijar,
ver o mundo parar,
de meia colorida no pé
enquanto te faço cafuné.





sábado, 26 de outubro de 2013

poesia crua


É você.
Não te dediquei verso algum escrito em pedaço de papel algum.
Não corri poesia. Simplesmente porque não corro poesia.
De você, é poesia crua.
Na leveza, distância e silêncio.
Lembro de ti quando ouço Ana. E tenho ouvido com mais frequência.
Liguei pra ouvir tua voz. Quis dizer tanta coisa. Pedir perdão, talvez. Te abraçar, mas por telefone não dá.
Quis dizer tanta coisa, mas é... poesia crua.
Que não se diz, não se bota num pedaço de papel. Não se escreve. Se elabora, cuida, cresce e vive dentro da gente.
Tenho te pensado tanto. Tenho tanta coisa pra te contar.
Preciso te ver.  Mesmo que de longe. Ver teu rosto.
E, não. Eu não estou bem. A tempestade tem estado cada dia maior, mais fora de controle. Tudo me escapou das mãos, exceto pela Primavera. Mas meu corpo virou canto qualquer do mundo.
Te preciso mais que ontem e menos do que precisarei amanhã.
E te amo.

Do retorno




A casa já não tem mais o mesmo cheiro nem as mesmas cores.
A música que tocava aqui já não toca mais.
Os sorrisos ferem, choram.
Enquanto ausência, perdi meu melhor amigo. Temporariamente ou não, nossa existência conjunta mudou. Se não botar de volta no lugar, haverá mudanças. Se botar de volta no lugar, haverão ainda mais mudanças. Eu não sei.
Perdi também o talento de sorrir pra tudo. Ando um tanto amarga, sem saber o que dizer, como dizer.
Tenho sido menos. Estado menos. Vivido menos.
Mal sei de poesia.
A única coisa que permaneceu, cada segundo mais firme, foi a Primavera.
Se não fosse pelo cheiro, o carinho, o beijo, o amor... Eu seria fim. Não fim de vida. Não morro cedo. Sou manhã morna, longe de ver o sol desaparecer, a noite cair. Mas se não fossem as mãos de quem tem meu coração, eu seria fim de mim mesma. Fim de caminho. Eu seria solidão que machuca o peito e queima os olhos. Eu seria escombro de meu próprio mundo.
O amor de quem mais precisa de amor mantém minha estrutura de pé, o coração batendo, a voz gritando, a mente sã, a vontade de chegar infinita.
É por ela.
Pelo amor.
Eu volto pra dizer que a amo.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pra não dizer que não falei das flores



  O título é roubado.
  Mas veste bem uma manhã de sexta-feira que será sempre lembrada.
  Porque ela sorriu pra mim.
  O sorriso mais bonito.
  Pra mim.
  Por mim.
  Eu acho.
  De qualquer modo, prefiro acreditar que sim.
  Sim.
  E a mão dela repousou sobre a minha.
  Explodiu-me o peito.
  E a voz dela me disse repetidas vezes que me ama.
  Transbordou-me felicidade.
  E eu quis que o tempo parasse.
  (e tic-tac... tic-tac... tic-tac)
  Em vão.
 
  Até ontem, havia saudade.
  Hoje há a lembrança apertada no peito da companhia dela, horas atrás.
  Começo de saudade outra vez.
  Começo de vontade outra vez.
  Como se eu a estivesse amando pela primeira vez.
  Mas é sempre como na primeira vez.
  É sempre bonito.
  Mesmo nas falhas.
  Porque em meu peito não há mais canto algum que a existência dela não ocupe.
  Talvez seja um erro, mas eu não quero mais ninguém.
  Então que o tempo passe sempre.
  Sempre com a certeza de tê-la minha.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Silêncio de Inverno



   Serei ausência até que a Primavera volte
   nem que seja só pra me dizer que nunca mais vai voltar.