terça-feira, 25 de junho de 2013

Você (te trago flores roubadas, amor):




   te descrevo em poesia
   para que talvez assim
   a dor seja tardia.

   e nesse sorriso fugidio
   eu parto de mim mesma
   rumo ao oceano,
   que leva e traz qualquer amor.

   eu, que nem bem sei de mim,
   pra onde vou,
   de onde vim,
   pensei segundos atrás
   em te fazer feliz.

   trago flores roubadas
   de um jardim quase morto.
   mas, ah, amor...
   elas são pra você.

   quem sabe não basta.
   pra mim,
   pra você,
   pra nós.

   amor, quem sabe
   quanto tempo vai durar
   até acabar?
   quem sabe
   quanto tempo vai levar
   pra gente se encontrar
   e a saudade amenizar?

   te descrevo em poesia,
   amor,
   porque não posso descrever
   em beijo,
   em abraço,
   em carinho,
   em silêncio.

   te poetizar
   é só o que resta
   para quem a vida toda
   esperou pra te ver chegar.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Amanhecer



   Amanheci silêncio
   cego,
   doído,
   estampado na cara,
   fixado no cheiro da pele.

   Amanheci de costas viradas
   para o mundo,
   para mim,
   para que me viu,
   para quem não me vê.

   Amanheci sem
   dinheiro no bolso,
   sem
   paz no olhar,
   sem
   amor no coração.

   Amanheci
   cinza,
   quase morta.
   E cadê qualquer sorriso
   pra acender
   a luz em mim?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Um jardim de amor pra você



   A intenção era fazer
   com que aqui florescesse um jardim.
   Mas sobre as flores
   eu não sei nada.

   Eu sei só sobre o amor.
   E um tanto (tão pouco) sobre as cores
   que, dia vem, dia vai
   pintam qualquer poesia em mim.
   Pra me deixar assim,
   leve,
   tão leve...

   ...leve para sobrepor
   um pouquinho de amor
   no abraço de quem eu ainda
   não abracei,
   porque ainda não conheci,
   não vivi.

   Mas quero viver.
   E, por Deus!,
   tenho pensado tanto (tanto, tanto)
   que acho que quero sê-la.
   E repousá-la em carinho
   e talvez em (in)finito.

   Porque vezenquando me invade,
   me acelera,
   me transborda
   e me adormece, bem aqui,
   no peito,
   tamanha vontade de vê-la sorrir.

   A intenção era escrever aqui
   qualquer coisa assim,
   bonita,
   p'ra fazer florescer nos olhos dela
   o jardim mais bonito
   e colorido.
   P'ra fazer nascer no coração dela
   o mesmo amor que eu tenho pensado
   tanto (tanto, tanto)
   que nasceu em mim.