domingo, 17 de novembro de 2013

quando você voltar pra casa, pequena, não há tristeza que valha a pena



Fui vento.
Voei longe
(pra lá, pra cá, pra lá, pra cá)
Soprei varais e vi:
roupa colorida de desgosto,
alma pendurada pra Deus ver
a falta da vontade de crescer.
Tava lá pra tomar sol,
porque ainda antes,
caiu café de solidão
e necessidade das tuas mãos.

Fui chuva.
Caí chão.
É, chão.
Porque chovi de baixo pra cima, sabe,
do chão pralém e até mais.
Molhei foi o céu.
De mim,
porque chorei.
E senti falta de você.
Chorei porque senti falta de você.

Fui inverno.
E eu sei, amor...
é ainda Primavera.
Mas o tempo que não passa
e só nos passa sol,
queima o amor.
E de fim de tarde se veste de fim de mundo.
E eu grito surdo,
também meio mudo.
Falta de clareza de verão não-dito.
Mas eu dito aqui o grito pra você:
te preciso!

Fui retorno.
Depois de vento,
chuva,
inverno,
coloquei o sapato e saí pra ser gente
e, amor, eu vi:
não é barato
sentir saudade
e morrer na vontade
do teu sorriso.

E eu que, aqui,
longe do teu abrigo quase não vivo,
espero que perdoe por ter sido cícero
que me fez te escrever,
descrever aqui,
só pra dizer que quando te vir
vou te abraçar com calor
de quem tem eternidade pra dar.
Vou correr jardim.

sábado, 2 de novembro de 2013

Cafuné



Tenho precisado te ouvir baixinho,
te fazer carinho,
cafuné.
Se você aquietar aqui,
por qualquer canto de mim,
juro que todo dia,
bem cedinho,
tem café.

Tenho pensado em correr mais.
Mais vento,
mas pra isso,
que tormento!,
há pouco tempo.

E mesmo que me haja pouco tempo,
perto ou longe do tormento,
você não sai do pensamento
e eu não me aguento.

Penso em escrever,
te descrever,
pra te ver,
te fazer crer
que é pra ser.

Vai ter domingo pra assistir
filme no sofá sem muito pra falar
e eu vou pensar em te beijar,
ver o mundo parar,
de meia colorida no pé
enquanto te faço cafuné.