quarta-feira, 24 de julho de 2013
Silêncio de Inverno
Serei ausência até que a Primavera volte
nem que seja só pra me dizer que nunca mais vai voltar.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Intrínseco VI:
Lavei a alma com poesia
e vim em paz enfrentar o dia:
não quero guerra;
quero apenas o sonho
de amenizar a dor de não saber navegar.
Porque eu quero o mar.
Eu quero repousar a imensidão azul da terra-firme
que nunca encontro; que jamais chega.
Agora que encontrei a luz do meu farol
não me perco mais:
ancoro em qualquer porto
com o peito carregado de amor,
porque posso enxergá-la
mesmo de olhos fechados.
E a saudade tem o cheiro dela.
E a cor do jardim mais bonito que eu já vi,
repousado no silêncio por medo,
sem saber que sua beleza é tanta
que me preenche o sorriso mais sincero.
Não quero guerra;
quero sonho realizado
de navegar mesmo sem saber
no mar de flores em que,
mesmo perdida,
me encontrei.
E realizei.
Naveguei o tal mar de flores sem cessar,
até a Primavera chegar.
E, daí, então, eu sorri,
porque notei que as flores se juntaram a mim
mesmo depois do fim.
Eu quero morrer no jardim
que ela fez florescer em mim:
somente assim morro feliz.
Virei algo parecido com rádio velho
Há tanta poesia arrancada
e vivida com pressa de ser
aqui,
que eu nem bem sei
quem sou,
se sou
ou se quero ser.
Eu já nem sei se isso
ainda é sobre mim.
Porque o universo em mim
desfaleceu
em brilho de estrelas mortas
e amanheceu jardim
(o jardim mais bonito que já presenciei,
por assim dizer)
e agora eu só vejo flores,
só sei das flores,
só tenho flores
e só quero flores.
(Flores, flores, flores e mais flores.)
Ah!, mas veja só,
fui tentar dizer sobre mim
e acabei por terminar dizendo
sobre as flores.
(Flores, flores, flores, flores, flores...)
e hoje eu pareço rádio velho: só sei repetir jardim. é sobre ela outra vez.
Isso é uma mentira
(Ex) (I)
E foi.
Foi até o fim da aVenIDA.
E retornou tempos depois.
Com olhos cansados e um sorriso morno.
E sem dizer nada abraçou outro cigarro e dançou qualquer coisa sozinho ao som de um silêncio bonito, desgastado e intocável.
O riso era ímpar ao corpo e ao seu estado de espírito.
Lembrou dos amores tardios, que só amou quando já haviam partido.
E sentiu vontade de chorar, mas o vazio é tanto que até as lágrimas tornaram-se egoístas e hoje vivem só para si,
Não chora mais.
Não ama mais.
E talvez nunca tenha de fato existido (
Chegou até aqui com tanta coisa pra mostrar, mas esqueceu de se lembrar, de amadurecer.
Não vive mais.
(porque eu pensei que fosse sobre você, mas não encontrei qualquer resquício teu aqui: isso é sobre te deixar ir. -J.)
Uni(verso) II
Diálogo de portos:
-Ancoraste em mim até o fim ou somos nós nada além de passagem?
-Sobre o fim eu não sei nada.
-Mas e quando tu partir de volta pro mar?
-Então eu vou ter a luz do teu farol pra me guiar.
-E se por ventura, qualquer dia desses sem você, ela se recusar a acender?
-Somos nós?
-Feito nó de marinheiro.
-Então mesmo que ela não esteja lá, eu a enxergarei e ela me guiará.
-Ancoraste em mim até o fim?
-Até depois do fim.
domingo, 7 de julho de 2013
Uni(verso) I
Sobre
O céu que me é teve suas estrelas substituídas por flores: antes, ao observar os pontos brilhantes lá no alto, eu me lembrava deles próprios, porque era exatamente essa a resposta; hoje, quando direciono meu campo de visão para o alto, os pontos brilhantes ainda estão lá, mas eles me fazem lembrar as flores. Porque agora a resposta é primavera.
Mesmo que julho seja inverno: eu vejo flores no céu e eu vejo flores no chão.
Eu vejo flores onde quer que eu olhe.
Eu vejo flores na minha camiseta do Smiths, porque ficou com o cheiro dela.
Eu vejo flores em todo canto, inclusive no céu, porque eu a amo.
E as estrelas em mim se partiram ao meio e brilham cada vez menos.
Isso é sobre amar outra vez; é sobre as flores.
M. <3
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Carlos gosta de Sebastião
"Carlos gosta do cheiro da chuva; do barulho também. Gosta dos dias cinzas e do silêncio de fim de domingo.
Sebastião conta os passos que dá ao sair de casa até chegar ao ponto de ônibus. Sebastião gosta de rosas, especialmente as vermelhas.
Carlos conta estrelas. Fala sozinho. Gosta de bolo de chocolate e de coca-cola.
Sebastião gosta dos dias mais quentes. Anda de bicicleta nos fins de semana. Odeia refrigerante.
Carlos gosta de Sebastião, mas não sabe que ele se chama Sebastião. Sebastião nunca se apaixonou e também nunca parou pra pensar sobre o amor.
Carlos gosta dos livros; Sebastião, dos discos.
Sebastião gosta dos filmes de romance; Carlos assiste canais de culinária.
Sebastião pega o mesmo ônibus todos os dias ao voltar do trabalho e senta sempre no mesmo banco; Carlos o encontra nesse mesmo ônibus uma vez por semana. Foi assim que o conheceu.
Carlos gosta de observar a forma como Sebastião interage com o celular ao responder mensagens: um sorriso meio disfarçado, expressões de dúvida e/ou surpresa.
Sebastião, dia desses, esbarrou em Carlos e pediu desculpas, sorriu e foi em direção ao mesmo banco, de todos os dias.
Carlos sentiu seu corpo todo vibrar. O lugar ao lado de Sebastião estava vago. Ele decidiu ir até lá. Sentou-se, então.
Sebastião sorriu outra vez. Carlos disse “olá". E uma conversa se iniciou a partir daí.
Carlos disse que um dia quer se casar. Sebastião disse que tem medo de morrer.
Carlos descobriu que Sebastião se chama Sebastião e que sua banda favorita é Los Hermanos. Sebastião pensou sobre o amor pela primeira vez, até mesmo em se casar.
E, por fim, antes de descer do ônibus, Carlos tirou da bolsa um pequeno caderno e escreveu numa folha: ‘de onde vem o jeito tão sem defeito que esse rapaz consegue fingir? Olha esse sorriso, tão indeciso, tá se exibindo pra solidão.’
Sebastião leu e olhou pros carros que passavam do lado de fora. Carlos se despediu e desceu do ônibus.
Sebastião pela primeira vez se apaixonou; Carlos pela primeira vez foi amado de volta."
Sebastião conta os passos que dá ao sair de casa até chegar ao ponto de ônibus. Sebastião gosta de rosas, especialmente as vermelhas.
Carlos conta estrelas. Fala sozinho. Gosta de bolo de chocolate e de coca-cola.
Sebastião gosta dos dias mais quentes. Anda de bicicleta nos fins de semana. Odeia refrigerante.
Carlos gosta de Sebastião, mas não sabe que ele se chama Sebastião. Sebastião nunca se apaixonou e também nunca parou pra pensar sobre o amor.
Carlos gosta dos livros; Sebastião, dos discos.
Sebastião gosta dos filmes de romance; Carlos assiste canais de culinária.
Sebastião pega o mesmo ônibus todos os dias ao voltar do trabalho e senta sempre no mesmo banco; Carlos o encontra nesse mesmo ônibus uma vez por semana. Foi assim que o conheceu.
Carlos gosta de observar a forma como Sebastião interage com o celular ao responder mensagens: um sorriso meio disfarçado, expressões de dúvida e/ou surpresa.
Sebastião, dia desses, esbarrou em Carlos e pediu desculpas, sorriu e foi em direção ao mesmo banco, de todos os dias.
Carlos sentiu seu corpo todo vibrar. O lugar ao lado de Sebastião estava vago. Ele decidiu ir até lá. Sentou-se, então.
Sebastião sorriu outra vez. Carlos disse “olá". E uma conversa se iniciou a partir daí.
Carlos disse que um dia quer se casar. Sebastião disse que tem medo de morrer.
Carlos descobriu que Sebastião se chama Sebastião e que sua banda favorita é Los Hermanos. Sebastião pensou sobre o amor pela primeira vez, até mesmo em se casar.
E, por fim, antes de descer do ônibus, Carlos tirou da bolsa um pequeno caderno e escreveu numa folha: ‘de onde vem o jeito tão sem defeito que esse rapaz consegue fingir? Olha esse sorriso, tão indeciso, tá se exibindo pra solidão.’
Sebastião leu e olhou pros carros que passavam do lado de fora. Carlos se despediu e desceu do ônibus.
Sebastião pela primeira vez se apaixonou; Carlos pela primeira vez foi amado de volta."
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