sábado, 26 de outubro de 2013

Do retorno




A casa já não tem mais o mesmo cheiro nem as mesmas cores.
A música que tocava aqui já não toca mais.
Os sorrisos ferem, choram.
Enquanto ausência, perdi meu melhor amigo. Temporariamente ou não, nossa existência conjunta mudou. Se não botar de volta no lugar, haverá mudanças. Se botar de volta no lugar, haverão ainda mais mudanças. Eu não sei.
Perdi também o talento de sorrir pra tudo. Ando um tanto amarga, sem saber o que dizer, como dizer.
Tenho sido menos. Estado menos. Vivido menos.
Mal sei de poesia.
A única coisa que permaneceu, cada segundo mais firme, foi a Primavera.
Se não fosse pelo cheiro, o carinho, o beijo, o amor... Eu seria fim. Não fim de vida. Não morro cedo. Sou manhã morna, longe de ver o sol desaparecer, a noite cair. Mas se não fossem as mãos de quem tem meu coração, eu seria fim de mim mesma. Fim de caminho. Eu seria solidão que machuca o peito e queima os olhos. Eu seria escombro de meu próprio mundo.
O amor de quem mais precisa de amor mantém minha estrutura de pé, o coração batendo, a voz gritando, a mente sã, a vontade de chegar infinita.
É por ela.
Pelo amor.
Eu volto pra dizer que a amo.

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