segunda-feira, 15 de abril de 2013
Sobre acreditar em monstros dentro do guarda-roupa
Leona é só sorriso.
Mas há também os dias ruins; os dias em que o vento não está forte o bastante a ponto de fazer seu cabelo voar, sem sair do lugar e, por fim, repousar um tanto bagunçado em seu ombro.
Leona vive assim, sem muito se esforçar para viver. Não que isso seja algo claro o bastante para mais alguém além dela entender.
Leona admira os loucos, as árvores e a chuva. Diz que essas três coisas juntas formam um ciclo e que só o silêncio consegue explicar. Vai entender.
Leona passou o sábado e o domingo inteirinhos em meu pensamento. Acordei pensando nela. Fui dormir pensando nela. No que dizer. Em como dizer. E se eu deveria realmente me pronunciar sobre a existência de Leona.
Porque ela, a Leona, na verdade não existe. Ou talvez exista. Mas é só em mim. Ou dentro do meu guarda-roupa. No espelho que há na porta, onde eu insisto em escrever qualquer coisa todos os dias; onde também há o nome do Augustus Waters seguido de um coração e o nome da Allana, em japonês, também seguido de um coração.
Entre o sábado e o domingo eu descobri que a Leona é cada uma das minhas poesias, ou seja lá o que for todas as coisas que eu escrevo. Leona é o monstro do meu guarda-roupa. E também as estrelas que eu fico imaginando no teto do quarto antes de dormir por causa da Allana, por causa de mim e por não sei mais o quê. Leona é a bagunça do quarto, as roupas que eu ainda não coloquei no lugar, as cartas que eu ainda não organizei de volta nas caixas depois da reforma aqui em casa.
Leona anda por aí, mais em mim do que eu mesma. E assim tudo parece mais bonito; assim o céu parece mais azul mesmo quando chove e quando cai a noite sempre há estrelas lá no alto. E assim, bem longe de mim, é que eu consigo me encontrar.
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