Ultimamente o céu só faz desabar.
Em mim.
E nela.
Em nós.
Nele próprio.
Eu ainda não deixei de imaginar estrelas no teto do quarto.
E também não deixei de usar o colar com a aliança que ela me deu ("do nosso casamento que nunca vai acontecer", eu disse.)
E também não deixei o sorriso dela escapar de vista;
a foto no celular é prova disso - ela sorri pra mim todas as noites, mesmo sem saber.
Tem dias que eu queria correr e abraçá-la - e não soltar nunca mais.
Porque sinto saudade de viajar pra lua - de ver as estrelas de perto, de senti-las em mim, de sentir que eu as sou.
Porque, no fim das contas, acho que quase ninguém sabe, mas todos nós temos pó de estrela dentro da gente. A ciência comprova.
E eu não sinto mais nada em mim - nada que venha dos pontos brilhantes no céu.
Eu não me encaixo mais em lugar algum no céu.
Eu não sou mais ponto brilhante algum no céu.
Nem pra mim.
Nem pra ela.
Nem pro céu.
... pra ninguém.
Ultimamente o céu só faz desabar.
E eu que há tanto tempo não chorava tenho agora os olhos marejados.
E eu que há tanto tempo não pensava sobre ela não consigo tirá-la do pensamento.
E eu que há tanto tempo desconhecia a saudade tenho a saudade me seguindo pelos becos da alma, pela parte de mim que não há, não é, não tem.
Ultimamente o céu só faz desabar.
E ela agora me chama de pequena.
E arranca-me um sorriso nas poucas vezes que brilha na minha direção.
Pergunto-me se a saudade fez moradia no peito dela também ou se estou navegando sozinha nessa imensidão de lugar nenhum e se estar cada vez mais longe também significa amor.
Eu não sei.
Não sei de mim - quando me perguntam, eu faço pouco caso e respondo qualquer coisa.
Não sei dela - quando me perguntam, eu digo que esqueci.
Não sei de nós - quando me perguntam, eu digo que fomos só passagem.
Porque cada vez que olho pro alto tem menos estrelas no céu - e, por Deus, não sei por quê durante esse tempo todo eu fiz questão de esquecer que a maioria delas está morta.
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